terça-feira, 27 de setembro de 2011

Vindimas



Estão terminadas as vindimas no Carvalhal.

Como se previa, face a temperaturas um pouco acima do que é normal para esta época e a ausência de humidade, a produção foi menor do que em anos anteriores, mas a qualidade, dado o bom estado de maturação foi superior.
Assim, e após boa fermentação como é previsto, haverá bons vinhos para serem provados em Janeiro, quando da recolha das janeiras.
Para colheita das uvas, e dado que nas pequenas aldeias do interior há cada vez menos pessoas disponiveis, constituimos um grupo de sete pequenos viticultores que se ajudam mutuamente.
Viveu-se uma semana de franca confraternização entre amigos e familiares.

Para o ano há mais, e como dizem na minha terra:

"Haja saúde e coza o forno"

domingo, 4 de setembro de 2011

Carvalhal - Época de vindimas


Aproxima-se mais uma época de vindimas. No Carvalhal vão iniciar-se no próximo dia dezassete.

Sem dúvida que é um período bastante característico da aldeia. Há uma azáfama contagiante, uma entreajuda e todos pedem aos seus santinhos para que o tempo corra de feição.
Entretanto, já se vão lavando lagares e adegas, para dar acolhimento a mostos que, face ao bom estado de maturação das uvas, vão certamente dar bons vinhos. As esposas dos viticultores, vão fazendo listagens das compras a efectuar, nada pode faltar para oferecerem bons almoços, doces e outras iguarias.

Esperamos que da parte da direcção da associação haja colaboração para diariamente o bar estar aberto depois do almoço.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Associação Desportiva e Cultural "Os Amigos do Carvalhal"

Por informação do senhor presidente da Assembleia Geral da Associação "Os Amigos do Carvalhal",tive conhecimento que se tinha efectuado uma A.Geral.
Nada seria de estranhar,dado que é uma competência exclusiva deste órgão a marcação das A.Gerais, só que, esta a que me refiro, foi convocada ao arrepio total daquilo que dizem os estatutos, que devem ser observados por todos os associados e dirigentes da associação.
Diz o artigo trigésimo nos pontos um e dois: A convocatória é feita por meio de aviso postal expedido para cada associado ou através de anúncio publicado nos dois jornais de maior circulação da área da sede da associação e deverá ser afixado na sede e noutros locais, pelo menos quinze dias de antecedência.
Assim sendo, e dado que este articulado foi absolutamente desrespeitado, entendemos ser um grave precedente introduzido na gestão da associação, que não só maculou o brilhante desempenho que o senhor presidente da A. Geral vinha desempenhando, e que durante vinte e cinco anos nenhum outro presidente do mesmo órgão desobservou.
Claro que este procedimento, leva a algumas especulações, nomeadamente a contestar o acto, no entanto, e para bem da associação, que todos desejamos, não devemos propalar mais o assunto.
Muitos associados certamente não compreenderão qual o motivo de tal procedimento, por mim, compreendo-o perfeitamente.

domingo, 14 de agosto de 2011

Ecos dum passado já distante



Quando jovem, por vezes acompanhava o meu avô a uma propriedade situada no Vale Morgado, próximo de Sarnadas, a curiosidade levava-me a deslocar ao aqueduto onde José Pina e Maria Bello se suicidaram.


Foi um trágico acontecimento no início do século XX, e que pôs termo a uma intensa paixão entre dois jovens, ela de 21 anos, pobre e orfã de pai, ele de 18 anos, estudante no liceu de Castelo Branco, filho de um abastado proprietário.


Este forte e profundo amor, contrariado pelos pais de José, levou estes dois desditosos namorados a buscar voluntáriamente a morte, já que a vida lhes recusava a felicidade de viver esse amor.


Os dois corpos partilharam o mesmo caixão e sepultura.


Nessa época, várias publicações deram notícias sobre o sucedido, nomeadamente a composição de Dias Loução que foi publicada no jornal A Pátria Nova, e agora reproduzida no livro de Maria Adelaide Neto Salvado que assim termina:


-Deixai cair as longas tranças pretas

Como sinal de luto e d`amargura,

E de pranto orvalhai as violetas

que florescem na sua sepultura


terça-feira, 26 de julho de 2011

Rodeios - Ecos do passado



Há tradições que marcam profundamente a alma de uma aldeia.


Em tempos idos, quando a aldeia fervilhava de gente, eram desenvolvidas várias actividades agro-pastoris, nomeadamente a cultura de cereais.


Algum milho e trigo, mas sobretudo o centeio, era cultivado nas várias encostas de solos magros e agrestes, ondulando ao sabor da brisa. Após a ceifa, os rolheiros eram transportados para as diversas eiras existentes nas lombas que circundam a aldeia e malhados por homens com manguais, dado a ausência de máquinas para o efeito.


Em dois moinhos na Ocresa, transformava-se o cereal em farinha para alimentação do corpo e espírito das gentes de Rodeios e Vale do Homem. Através de intrincados carreiros em zigue-zague ao longo das vertentes da Breda e Conheiras, chegava-se ao moinho do Poejo, situado junto á foz do ribeiro do Caldeirão ou ao das Meias, um pouco mais a montante.


Hoje, deles, apenas restam vestígios, a estrutura foi destruída pelas águas revoltosas nos Invernos rigorosos, quando a Ocresa, com o seu aspecto arrogante inundava as margens até ás açudades das oliveiras.


As gentes dessa época, amanharam as pequenas courelas à procura do pão, e assim, foram capaz de afeiçoar a terra à sua maneira natural de viver. Hoje, observa-se um verde mar de pinhos e eucaliptos que balançam sacudidos pela brisa do fim da tarde, teimando-se aqui e além em manter algumas culturas tradicionais. Com a florestação maciça, o abandono de actividades agrícolas, a pouca população envelhecida, fez com que a aldeia perdesse vida, encontrando-se em adiantado estado de desertificação.


Pena foi, não ter sido incluída no programa das aldeias de xisto, porquanto as intervencionadas têm vida e foram recuperadas e enquadradas com equilíbrio entre a construção e a paisagem.


No entanto, estamos convictos que a associação, à semelhança de outras localidades, poderá ser elemento catalisador na promoção e revitalização da aldeia. O referencial das tradições e saberes, são elementos essenciais nessa dinâmica.


Esperamos que assim seja.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Carvalhal - Museu Etnográfico




Este museu surgiu, por um lado, pelo desejo e empenho de dois amigos do Carvalhal, Vasco Gaspar e Joaquim Ribeiro, por reconhecerem a necessidade de abordar tradições e de alguma forma, efectuar uma viagem ás origens e ecos do passado.


Reconhecendo também, a necessidade de perservar e divulgar a cultura popular da aldeia.


Todo o seu acervo, que se encontrava disperso, foi recolhido e oferecido por grande parte dos habitantes e está dividido em quatro alas.


Numa delas, está representada uma cozinha beirã, onde se pode observar todos os utensílios necessários e frequentemente utilizados. Em anexo, na ala do linho, podemos ver todo o percurso necessário ao amanho do linho, desde a sementeira á saída da peça urdida no tear. Toda a componente exposta, faz-nos imaginar a vivência das gerações passadas que desbravaram montes e vales de solos magros e agrestes.


Passando a outra ala, de maior dimensão, aí estão representações de actividades em desuso expostas em vários núcleos, como o pão; sapateiro; barbeiro; carpinteiro, bem como diversas ferramentas ligadas ao amanho da terra, nomeadamente: cangas, arados, charruas, manguais e muitas outras que foram utilizadas na actividade agro-pastoricia.


Por fim, podemos observar o núcleo do ferreiro, uma forja com fole e toda a gama de ferramentas necessárias a esta profissão.


Em todas as actividades implementadas, está presente a ligação á comunidade da aldeia e, embora sendo um museu de expressão local, cedo se revelou um pólo de atracção mais alargado.


Foi na constituição da associação, complementada pelo museu e sepulturas rupestres, que de algum modo se pretendeu revitalizar a aldeia.



segunda-feira, 30 de maio de 2011



Estas fontes deram água a dezenas de gerações. Era também para aqui, na véspera de S.João, que os rapazes, pela calada da noite, traziam os vasos floridos das raparigas solteiras.

Hoje, são fragmentos que ilustram as brilhantes páginas da história dos antepassados da aldeia.